quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Moinhos de vento.


Após pouco mais de uma década de magistério, hoje deparei-me com uma situação deveras absurda: Tentei  concluir minhas atividades em tempo hábil, apesar de todos os contratempos, atrasei coisa de cinco minutos, e permaneci em sala de aula com dez crianças; precisei fazer isto por que afinal entrariamos num feriadão e eu havia implatado algumas metas para a turma, além disso a direção da escola solicitou que repassasemos dois comunicados que costumam ser colados nas agendas de cada aluno.

 Resolvi  ficar um pouco mais de tempo pra explicar em mais detalhes para os pequeninos que aquele programa ao qual eles foram selecionados era importante. Quando deparei-me com um homem em pé na porta de minha sala de aula, pedi licença a ele para fechar a porta, pois ainda não havia concluido as atividades.

Ao qual ele respondeu: "Vim buscar minha filha!" (Eu nunca o havia visto antes) Respondi educamente: " Entendo, peço que aguarde um pouco, vou encerrar com eles e logo os libero." Ele permaneceu na porta alterando a voz: " São cinco horas! é hora deles sairem!" Continue respondendo em tom normal: "Certamente senhor,mas nos atrasamos e precisamos concluir uns últimos avisos" ele aumentou ainda mas o tom de voz: "Assim como a senhora tem suas coisas pra fazer, nós  também temos!"

Respondi (Ainda em tom calmo) " Senhor, o senhor esta pertubando meu trabalho, aguarde um pouco."
Ele não satisfeito ordenou á menina que saísse, ao qual respondi: "Senhor, eu sou a professora,sou a autoridade em sala de aula e ela precisa permanecer para que eu conclua os trabalhos!"

Ele falando ainda mais alto: "A senhora não pode "prender" os alunos depois do horário!"
Então num esforço atroz de paciência falei claramente: "Senhor, o senhor esta me desrespeitando, nenhuma criança esta "presa" aqui e o senhor esta me desacatando, pois estou em exercício de minha função!"

Ele ensaiou entrar na sala, então meu tom de voz foi conhecido pela maioria das pessoas que estavam na escola naquele horário: "O senhor retire-se por que ela apenas sairá quando encerrarmos as atividades e quem determina isso sou eu!!"

Aquele homem teve mesmo muita sorte de eu ter me convertido ao cristianismo, pois do contrário teria feito um barulho inominável e no mínimo  eu faria um boletim de ocorrência.

Encerrei as atividades com toda a calma e liberei as crianças uma a uma, após isto a moça dos serviços gerais "parabenizou-me" por minha atitude, então disse a ela: " Estou no exercício de meu ofício, não permito que
NINGUÉM, seja quem for intefira no andamento dele." Ela disse já ter presenciado nesta escola (onde sou novata) alguns casos parecidos onde professores foram desrespeitados em suas funções.

Dirigi-me então á direção da escola onde contei o ocorrido, os profissionais ali pareceram ser solidários comigo mas disseram: "Da próxima vez assim que o pai chegar você libera a aluna!" Olhei firmemente pra pessoa e disse: " Minha autoridade em sala de aula não será ameaçada por nada nem por ninguém!"
Posso tolerar muitas coisas, mas desrespeito não, meu pai nunca gritou comigo, nem minha mãe e meu marido uma vez tentou fazer isso eu  o coloquei em seu lugar!

Em meio ás minhas reflexões não pude deixar de verificar que vivemos de fato uma crise de autoridade sem precedentes! As pessoas preferem "moldarem-se" ás circunstâncias absurdas para evitar problemas a serem combativas.

Defintivamente: Não vou ceder a este sistema de coisas, os princípios que meu pai ensinou-me prevalecerão em minha vida, entre eles a lealdade e o respeito.

Eu já era pouco flexível a determinadas coisas e agora após esta orientação que recebi pra "deixar pra lá"  serei ainda mais rigorosa.

Ainda que alguns julguem-me  uma tola por lutar em batalhas inglórias, ainda assim, permanecerei coerente ao meu ideal e nego-me veementemente a moldar-me a esta absurda inversão de valores.
Caro leitor, você poderá pensar: " Louca, estes são moinhos de vento!"
Talvez você esteja certo, ainda assim, sejam eles gigantes que penso ameaçarem-me ou meros moinhos de vento, permaneço em minha sina quixotesa.

 A quem interessar possa:
            ( Clique nos links abaixo  )





Desacato: Art.331. Desacatar funcionário público
no exercício da função ou em razão dela:
Pena: Detenção, de seis meses a dois anos ou multa.


( A CADEIRA NA IMAGEM REFLETE COMO SINTO-ME
SOLITÁRIA
COMBATENDO UM SISTEMA DÉBIL E LASTIMÁVEL
QUE É A EDUCAÇÃO NO BRASIL DE HOJE)
.
Aos colegas professores solicito que se não teem forças
 pra fazerem-se respeitarem-se como profissionais,
 ao menos façam-se respeitar enquanto pessoas.

2 comentários:

Prof. André Lima disse...

Sua atitude foi muito correta, não ceda ao sistema, contudo atente ao fato de daqui pra frente não tornar-se rigorosa cegamente, como uma forma de revolta. Siga dignamente, respeitando-se como profissional e como pessoa sendo flexível quando necessário, o que não era o caso no fato.

Parabéns por ter em sua posse "princípios" coisa rara hoje em dia.

Desejo-te felicidades, e bom trabalho. Sucesso.

Katia Cristina disse...

Em outros tempos eu faria o mesmo, mas hoje ele pode me esperar amanhã com uma arma, um pedaço de pau ou algo parecido. Não dou mais aulas pq o grande problema são os "pais marginais". Certa vez uma mãe queria que eu resolvesse um problema ocorrido entre dois dos meus alunos só que em outro local, não no colégio, não na minha aula!
Se algum dia voltar para as salas de aula jamais me envolverei mais com isso.
Quer seu filho?
Leve-o! Faça bom proveito!
Se o pai se mostra dessa maneira, não queria mais nem mesmo o aluno!
Estou velha demais para ideologias.
Bjs e cuide-se.

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