quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Ausência.





Creio que alguns sentiram minha ausência aqui no Caleidoscópio Insano, de fato, estou com a vida bastante corrido e peço desculpas por isso, imprevistos diversos obrigaram-me a esta ausência.

Muito tenho aprendido nestes dias, e como tudo em nossa vida é lição...

Continuo a boa e velha aprendiz de sempre.

O velho projeto de temas filosóficos para o blog não foi descartado, creio que ele se dará na segunda quinzena de setembro, preciso apenas acordar tudo com meu parceiro Salém, e traçar algumas diretrizes.

Sugestões serão aceitas, mas garanto á você, amigo insano, que discutiremos questões ligadas ao cotidiano, porque filosofia nada mas é que buscar respostas pra nossa existência em todos os aspectos. E se a Filosofia moderna revestiu-se de teorias complexas e por vezes desalentadoras,

nosso objetivo aqui será de levar á todos a Filosofia como algo atraente e de fato agradável em nossas vidas.

Pretendo postar apenas semanalmente, ás terças feiras e ás quintas visitarei o blog de amigos,

estou sentindo muita falta da blogosfera e de tudo de bom que ela contém.
Como sou uma mulher de paradóxos, espero que este ausência tenha servido pra aproximarmos ainda mais, sabendo que a saudade é um pouco de tudo, diluido na poética do dia á dia.



sexta-feira, 24 de julho de 2009

Abrindo mão.




Uma fonte constante de frustação e angústia é
nosso hábito de muito esperar das pessoas.
De nos atrelar-mos a elas de tal modo que as atitudes
alheias, facilmente nos atingem, neste texto de
Epicteto, podemos vislumbrar uma lição elementar
que muitos de nós demoramos a aprender:
Poucas coisas estão sob nosso controle.
Enquanto não aceitarmos tal fato, prosseguiremos
frustados com fatos sob os quais não temos controle algum, e ironicamente, negligenciamos exatamente as poucas coisas sob as quais podemos exercer controle:
Nossas emoções, por exemplo.
O estudo no campo das emoções revela que esta é a área
de maior dificuldade pra todos nós, pois a educação recebida tanto em casa quanto na escola, não contempla
a educação emocional,somos preparados pra tudo, menos pra lidar conosco mesmo, especialmente com as frustações, e nossa cultura privilégia a preparação para
o sucesso.
Mas, e quanto ao insucesso?
E quanto ás dezenas de nãos que a vida nos reserva?
Se crianças podemos bater os pés e choramingar.
Mas tal conduta quando adultos não é nada aceitável.
E prosseguimos assim, analfabetos emocionalmente. Termo usado no
livros que li e admiro pela pertinência e seriedade
é " Inteligência Emocional" de Daniel Goleman, onde ele
explica sob o ponto de vista fisiológico e social o que é emoção, qual sua função e como administra-la.

As nossas dependências


Coisas há que dependem de nós - e outras há que de nós não dependem.


O que depende de nós são os nossos juízos, as nossas tendências, os nossos desejos, as nossas aversões: numa palavra, todos os actos e obras do nosso foro íntimo.


O que de nós não depende é o nosso corpo, a riqueza, a celebridade, o poder; enfim, todas as obras e actos que de maneira nenhuma nos constituem.


As coisas que dependem de nós são por natureza livres, sem impedimento, isentas de obstáculos; e as que de nós não dependem são inconsistentes, servis, susceptíveis de impedimento, estranhas.


Tem em mente, portanto, o seguinte: se avalias livre o que por natureza é servil, e julgas decente para ti o que te é estranho, sentir-te-ás embaraçado, aflito, inquieto - e em breve culparás os Deuses e os homens.


Mas se crês teu o que unicamente é teu, e por estranho o que efectivamente estranho te é, então niguém te poderá constranger, nem tão pouco causar embaraços; não atacarás ninguém, a ninguém acusarás, nada farás contra a tua vontade; prejudicar-te, ninguém te prejudicará; e não terás um só inimigo - e prova disso é sobre ti a ausência de qualquer dano.


Epicteto, in 'Manual'

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Morre lentamente


Morre lentamente.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade.

Pablo Neruda
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